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Ansiedade Generalizada (TAG): quando a preocupação ocupa espaço demais

Writer: Cleunice Paez
Cleunice Paez
4 days ago
4 min read

Preocupar-se faz parte da vida. Trabalho, saúde, família, dinheiro e decisões importantes podem gerar ansiedade, principalmente quando existe incerteza sobre o que vai acontecer.


O problema começa quando a preocupação se torna excessiva, frequente e difícil de controlar.


No Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), a pessoa pode passar grande parte do tempo antecipando problemas em diferentes áreas da vida. Mesmo quando uma preocupação parece resolvida, outra pode ocupar seu lugar.


“E se alguma coisa der errado?”


“E se eu não conseguir resolver?”


“E se acontecer algo com alguém que eu amo?”


“E se eu estiver esquecendo alguma coisa importante?”


A mente permanece tentando prever riscos e encontrar garantias para situações que nem sempre podem ser controladas.


Quando a preocupação deixa de ser apenas uma preocupação?


Sentir ansiedade não significa ter um transtorno de ansiedade.


No TAG, as preocupações tendem a ser excessivas, difíceis de controlar e presentes em diferentes situações da vida. Esse estado pode vir acompanhado de inquietação, irritabilidade, tensão muscular, cansaço, dificuldade de concentração e alterações no sono.


A pessoa também pode ter dificuldade para permanecer no presente porque sua atenção está constantemente voltada para aquilo que ainda pode acontecer.


Isso gera desgaste.


Não necessariamente porque os problemas sejam maiores do que os das outras pessoas, mas porque a mente passa a avaliar possibilidades futuras como ameaças que precisam ser previstas ou resolvidas antecipadamente.


O corpo também participa desse processo


Ansiedade não acontece apenas nos pensamentos.


Quando o cérebro interpreta uma situação como ameaçadora, o organismo pode responder com alterações físicas. O coração pode acelerar, a respiração mudar, os músculos ficarem mais tensos e o sono ser prejudicado.


Essas sensações também podem se tornar uma nova fonte de preocupação.


A pessoa percebe o coração acelerado e pensa que algo está errado. Não consegue dormir e começa a imaginar como estará no dia seguinte. Percebe dificuldade para se concentrar e passa a temer que não conseguirá cumprir suas responsabilidades.


Pensamentos, emoções, sensações físicas e comportamentos podem, assim, alimentar uns aos outros.


E o que fazemos quando estamos ansiosos?


Outro aspecto importante é observar como a pessoa reage à preocupação.


Ela pode evitar situações, adiar decisões, buscar repetidamente a confirmação de outras pessoas, pesquisar excessivamente sobre determinado assunto ou tentar antecipar todas as possibilidades antes de agir.


Esses comportamentos podem trazer alívio naquele momento. O problema é que alguns deles também podem contribuir para a manutenção da ansiedade.


Se eu evito determinada situação toda vez que sinto medo, por exemplo, tenho menos oportunidades de descobrir que talvez conseguisse enfrentá-la.


Nem toda preocupação ajuda a resolver um problema


Uma distinção útil é perceber a diferença entre preocupação e resolução de problemas.


Pensar repetidamente “e se acontecer?” não significa necessariamente estar procurando uma solução.


Quando existe um problema concreto, podemos perguntar:


O que está acontecendo agora?


Existe alguma coisa que eu possa fazer?


Qual é o próximo passo possível?


Se existe uma ação, podemos planejá-la.


Quando não existe uma ação possível naquele momento, continuar tentando encontrar uma certeza pode apenas prolongar a preocupação.


Aprender a tolerar algum grau de incerteza também faz parte do manejo da ansiedade.


Como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudar?


Na Terapia Cognitivo-Comportamental, um dos objetivos é identificar pensamentos e comportamentos envolvidos na manutenção da ansiedade.


Um dos recursos utilizados é a reestruturação cognitiva.


Isso não significa trocar pensamentos negativos por pensamentos positivos ou tentar convencer a si mesmo de que nada dará errado.


A proposta é examinar aquilo que você está pensando.


Qual é a evidência de que isso acontecerá?


Estou considerando uma possibilidade ou tratando-a como uma certeza?


Existe outra explicação?


Se algo realmente acontecer, quais recursos eu teria para lidar com a situação?


Existe alguma atitude que posso tomar agora?


Aos poucos, a pessoa aprende a reconhecer interpretações automáticas e construir avaliações mais equilibradas e baseadas no que realmente está acontecendo.


O tratamento também pode envolver estratégias comportamentais, resolução de problemas, redução de comportamentos de evitação e outras intervenções escolhidas de acordo com as necessidades de cada pessoa.


Em alguns casos, a avaliação médica e o tratamento medicamentoso também podem fazer parte do cuidado. Essa indicação deve ser feita individualmente por um profissional habilitado.


Quando existem preocupações demais ao mesmo tempo


Às vezes, são tantas preocupações que fica difícil identificar por onde começar.


Trabalho, relacionamento, saúde, filhos, dinheiro e futuro aparecem ao mesmo tempo. Um pensamento leva ao outro e surge a sensação de que tudo precisa ser resolvido imediatamente.


Colocar essas preocupações no papel pode ajudar a organizá-las.


Pergunte a si mesmo:


“Qual é exatamente a minha preocupação?”


“Existe um problema acontecendo agora ou estou tentando antecipar algo que pode acontecer?”


“Isso está sob meu controle?”


“Existe alguma atitude possível neste momento?”


Organizar os pensamentos não elimina a ansiedade, mas pode ajudar a diferenciar aquilo que exige uma ação daquilo que está sendo alimentado pela tentativa de prever e controlar o futuro.


Quando procurar ajuda?


Se a preocupação se tornou difícil de controlar, ocupa grande parte do seu dia ou começa a interferir no sono, trabalho, relacionamentos ou qualidade de vida, é importante procurar avaliação profissional.


O TAG pode ocorrer sozinho ou acompanhado de outros problemas psicológicos, mas isso não significa que toda pessoa com ansiedade generalizada terá depressão ou outro transtorno.


A psicoterapia pode ajudar a compreender como pensamentos, emoções e comportamentos participam desse ciclo e a desenvolver maneiras diferentes de responder à preocupação.


Você não precisa esperar a ansiedade chegar ao limite para procurar ajuda.

 
 
 

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