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Criança interior: como experiências da infância podem aparecer na vida adulta

Writer: Cleunice Paez
Cleunice Paez
4 days ago
2 min read

É importante trabalhar a forma como você se enxerga, principalmente quando existe a sensação persistente de ser inadequado, falho ou cheio de defeitos.


Desenvolver uma relação mais saudável consigo mesmo também envolve aprender a estar sozinho sem interpretar a solidão como abandono ou como sinal de que há algo errado com você. Isso não significa deixar de precisar das outras pessoas. Vínculos são importantes. A questão é não depender exclusivamente deles para se sentir seguro ou ter valor.


Uma maneira de compreender algumas dessas necessidades emocionais é observar aquilo que, na Terapia do Esquema, chamamos de modo Criança Vulnerável.


Pense em como você se sentia em momentos da infância nos quais estava com medo, triste, sozinho ou precisava de acolhimento. Algumas necessidades podem não ter sido suficientemente atendidas naquela época, e certas situações da vida adulta podem reativar sentimentos semelhantes.


Um exercício possível é imaginar-se naquela idade e observar essa criança com os recursos que você possui hoje. Do que ela precisava naquele momento? Proteção? Afeto? Segurança? Alguém que a escutasse? Permissão para sentir o que estava sentindo?


Depois, imagine o que você, como adulto, poderia dizer ou fazer por essa criança. O objetivo não é mudar o que aconteceu, mas reconhecer necessidades emocionais que talvez tenham sido ignoradas e começar a desenvolver maneiras mais saudáveis de responder a elas no presente.


Quando emoções difíceis aparecem, algumas pessoas encontram formas de aliviar rapidamente o desconforto. Comer, comprar, beber, evitar situações ou buscar outras fontes imediatas de alívio podem, em determinados casos, cumprir essa função. Isso não significa que compulsões, dependências ou fobias sejam simplesmente consequência de experiências da infância. São fenômenos complexos e podem envolver diferentes fatores psicológicos, sociais e biológicos.


Por isso, além de observar o comportamento, é importante tentar compreender o que acontece antes dele. O que você estava sentindo? O que pensou naquele momento? O que estava tentando evitar, aliviar ou conseguir?


Esse tipo de observação amplia o autoconhecimento e ajuda a identificar padrões que se repetem. Aos poucos, torna-se possível desenvolver outras formas de lidar com emoções, necessidades e situações difíceis.


Cuidar da sua Criança Vulnerável não significa permanecer preso ao passado. Significa reconhecer que algumas experiências deixaram marcas e perceber como elas podem continuar influenciando sua maneira de sentir, pensar e se relacionar no presente.


A psicoterapia pode ajudar nesse processo, especialmente quando sentimentos de inadequação, abandono, solidão ou dificuldades para regular as emoções aparecem repetidamente.


Você não pode mudar aquilo que viveu. Mas pode compreender melhor o impacto dessas experiências e construir, no presente, maneiras diferentes de cuidar de si.

 
 
 

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